quinta-feira, 8 de março de 2012

O ENEM 2011 - NUNCA RI TANTO



Ai que dureza! Capricharam. Pensaram que neste ano não haveria? Demorou mas...  infelizmente chegaram: As "pérolas" do ENEM 2011; "O Brasil não teve mulheres presidentes, mas várias primeiras-damas foram do sexo feminino".(Ou seja: alguns ex-presidentes casaram-se com travestis.) "Vasilhas de luz refratária podem ser levadas ao forno de microondas sem queimar".
(Alguém poderia traduzir?!) "O bem star dos habitantes da nossa cidade muito independe do governo federal capixaba". (Vende-se máquina de escrever faltando algumas letras.) "Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos". (Esse aí deve comer capim.) "Não CEI se o presidente está melhorando as indiferenças sociais ou promovendo o saneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regressivos da violência urbana".
("Saneamento” deve ser o conjunto de medidas adotadas por Sarney no Maranhão. Quer dizer, eu “acho”, mas não me “pré-ocupo” muito.) "Fidel Castro liderou a revolução industrial de 1917, que criou o comunismo na Rússia". (Não, besta, foi o avô dele.) "O Convento da Penha foi construído no século 16, mas só no século 17 foi levado definitivamente para o alto do morro". (Demorou o "século" inteiro pra fazer a mudança.) "A História se divide em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje". (Esqueceu a História em Quadrinhos.)
"Os índios sacrificavam os filhos que nasciam mortos matando todos assim que nasciam". (Mas e se os índios não matassem os mortos?) "Bigamia era uma espécie de carroça dos gladiadores, pichada por dois cavalos". (Ou era uma "briga" macho que tinha duas "brigas" fêmeas, puxada por um burro!) "No começo Vila Velha era muito atrasada, mas com o tempo foi se civilizando".
(Deve ter sido no tempo em que lá chegaram as primeiras prostitutas.) "Os pagãos não gostavam quando Deus pregava suas doutrinas e tiveram a idéia de eliminá-lo da face do céu". (Como será que eles pretendiam fazer isso?!) "A Previdência Social assegura o direito a enfermidade coletiva". (hehe. Esse é espirituoso...) "A capital da Argentina é Buenos Dias".(De dia. À noite chama-se Buenas Noches.)"A principal função da raiz é se enterrar no chão".(E a "principal" função do autor deveria ser a mesma. Ê: ainda vivo)" As aves tem na boca um dente chamado bico".(Cruz credo.) "Respiração anaeróbica é a respiração sem ar, que não deve passar de 3 minutos". (Senão a anta morre.) “Ateísmo é uma religião anônima praticada escondido. Na época de Nero, os romanos ateus reuniam-se para rezar nas catacumbas cristãs". (E alguns ainda vivem nas "catacumbas".) "Os egípcias desenvolveram a arte das múmias para os mortos poderem viver mais". (Precisa "desenvolver" o cérebro.
Será que egípcio é para rimar com estrupício?) "O nervo ótico transmite idéias luminosas para o cérebro". (Esse aí não deve ter o tal nervo, ou seu cérebro não seria tão obscuro.) "A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos". (I will survive.) "O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes". (Verdade: de São Paulo, até o Nordeste, falta construir aquedutos para levar as inundações.) "Os Estados Unidos tem mais de 100.000, Km, de estradas de ferro asfaltadas".
(Juro que eu não li isso.) "As estrelas servem para esclarecer a noite e não existem estrelas de dia porque o calor do sol queimaria, elas". (Hum... Desconfio que vai ser poeta!) "Republica do Minicana e Aiti são países da ilha América Central".(Procura-se urgente um Atlas Geográfico que venha com um Aurélio junto.) As autoridades estão preocupadas com a proliferação da pornofonografia na Internet".
(Deve estar falando do CD dos Raimundos.) "A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly". (Teve a ovelha Katrina, também. Só que ela era meio violenta...) "O Papa veio instalar o Vaticano em Vitória mas a Marinha não deixou para construir a Capitania dos Portos no mesmo lugar". (Foi quando ele veio no papamóvel, lembra?) "Hormônios são células sexuais dos homens masculinos".
(Isso. E nos homens femininos, essas células chamam-se frescurormônios.) "Os primeiros emigrantes no ES construíram suas casas de tábua". (Enquanto praticavam “Tiro ao Álvaro”.) "Onde nasce o sol é o nascente, onde desce é o decente". (Indecente: o sol não nasceu pra todos.) Agora reparem no perigo: "essa gente vota"... Perdão, mas eu tenho que repassar. "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." "Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível!"
Chico Xavier. Autor: Desconhecido. Difusão: Geraldo Porci de Araújo. 08/03/2012

ENC: PARTICULAR



Bom final de semana Deus o abençoe. Vai dar tudo certo! Deus me pediu que te dissesse: Que tudo irá bem contigo a partir de agora... Você tem sido destinado para ser uma 1 pessoa vitoriosa e conseguirá; todos teus os objetivo. Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará a vitoria. Esta manhã; bati na porta do céu e DEUS me perguntou... 'Filho, que posso fazer por você?' Respondi: 'Pai, por favor, protege e bendiz a pessoa que está lendo esta mensagem'.
Deus sorriu e confirmou: 'Petição concedida'. Leia em voz baixa... 'Senhor Jesus: Perdoa meus pecados. Te, amo muito, te necessito sempre, estás no mais profundo de meu coração, cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos'.
Não o ignore. Deus tem visto suas Lutas. Deus diz que elas estão chegando ao fim. Uma benção está, vindo, em sua direção. Se, crês;  em Deus, por favor; enviam esta mensagem p/ 20 amigos. Não ignores;  estás sendo Testado! Jesus disse: "se me negas entre os homens, te negarei diante do pai " Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa.
Autor: Desconhecido. Difusão: Geraldo Porci de Araújo. 07/03/212.  

ESTA CONTA TAMBÉM É SUA



Você lembra, de já ter assistido a algum filme estrangeiro cuja projeção fosse antecedida pela apresentação de uma lista de patrocinadores? Eu não. O que se vê são os nomes de uma ou mais empresas produtoras que uniram esforços e recursos para fazê-lo. Filmes são, concebidos como investimentos de cuja comercialização e esperado um ganho financeiro. Quando dá certo, os produtores ganham dinheiro. Quando dá errado, têm prejuízo. Se os espectadores gostam, patrocinam o lucro na proporção dos ingressos que adquirem. Quando não gostam, o prejuízo fica com quem avaliou mal o negócio ou não o conduziu bem.
No Brasil não é assim. Aqui, qualquer coisa com som é música, qualquer texto é literatura, qualquer lixo filmado é cultura e tudo cabe sob o guarda-chuva das leis que incentivam atividades culturais. Se por escrever isto eu for acusado de discricionário e preconceituoso, que o seja. O padrão cultural do povo brasileiro rampa abaixo e nós gastando dinheiro escasso para financiar coisas como "Lula, o filho do Brasil"? Cultura? Fala sério!
Pois bem, essas leis permitem a captação de recursos junto a contribuintes que se disponham a orientar para tais atividades uma fração dos tributos que deveriam recolher. A produção cinematográfica - embora voltada dominantemente para o lazer - está abrangida por essa possibilidade. A maior parte dos filmes vira, então, um negócio, sem risco, assumidos os custos, no todo ou em parte, pela sociedade pagadora de impostos. É o melhor dos mundos. Os mais reverenciados patrocinadores de eventos culturais são as poderosas empresas estatais cujas marcas freqüentam as salas de projeção posando de mecenas com o dinheiro do povo. E não requer muito esforço intuir sobre a natureza dos alinhamentos e comprometimentos que presidem as concessões de tais incentivos. Andando por esses critérios e caminhos, o dinheiro do contribuinte é deslocado para aplicações que ele jamais autorizaria. Seus critérios convergiriam para prioridades situadas vários degraus acima da indústria do lazer.
Mas a coisa vai além. Nos anos 90, surgiram no cenário nacional as agências reguladoras. São pessoas jurídicas de direito público, geralmente em forma de autarquias, concebidas para regular a atividade de setores estratégicos da economia que, ou são totalmente atribuídos à iniciativa privada, ou dela têm forte participação. No dia de sua criação, dormem assim, sobre o travesseiro das melhores intenções. Mas já na manhã seguinte acordam como objeto de disputas partidárias, transformadas em moeda de troca no balcão dos apoios políticos. Algumas dessas agências reúnem representações do poder público, das empresas envolvidas na atividade regulada e dos consumidores. Mas não me ocorre, uma só ordem os interesses, deste último pagador, de todas as contas, tenha a devida relevância.
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) é uma agência reguladora. Desde 2001, convergem para ela a regulamentação e o controle das proteções que regem a produção e exibição de filmes nacionais no Brasil. Entre as providências adotadas pela Ancine - com amparo legal, diga-se de passagem – está á exigência de um determinado percentual de projeções destinado a filmes brasileiros nos cinemas e na televisão, inclusive nas tevês a cabo. Ou seja, já não basta usar recursos do contribuinte para financiar o que dá lucro e indenizar o que dá prejuízo. Em nome da proteção à "cultura" nacional, regulamenta-se a atividade de um modo que obriga o exibidor a abdicar de uma parte de seu empreendimento. É imposta a ele a tarefa de tentar vender o que poucos querem comprar, porque se houvesse público interessado, maior ainda seria o interesse do exibidor em comercializar o produto. E dá-lhe pornochanchada na tevê a cabo.
Não sou dos que crêem que o mercado resolve tudo. Mas isso que pretendem para os filmes brasileiros é o mesmo que obrigar todas as lojas de roupas no Rio Grande do Sul, por exemplo, a reservar um espaço das vitrinas e prateleiras para exibir bombachas, guaiacas e apetrechos do gênero.
 Autor: Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.
Diofusão: Geraldo Porci de Araújo. 07/03/2012.

MUITO OBRIGADO, SENHORES MINISTROS!



Em fins de 2006, o STF julgou inconstitucional a lei que estabelecera cláusula de barreira para os partidos chamados nanicos. Essa lei fora aprovada pelo Congresso Nacional em 1995 para viger dez anos mais tarde. Foi uma das muitas vezes em que os ministros estiveram mais para opiniáticos do que para constitucionalistas. Caramba! Se o Congresso Nacional não tiver autonomia sequer para legislar sobre partidos políticos, então que se fechem suas portas e se transfiram suas atribuições para os Onze Sábios da República. A surpreendente decisão fundamentou-se no direito de representação das minorias. Entenderam suas excelências que a cláusula restringia direito fundamental das parcelas minoritárias da cidadania. Como resultados, graças do STF, já contamos com a inestimável contribuição ao bem comum prestada por 29 partidos. O 30º está na reta de chegada para completar seu registro. Trata-se do PEN, o Partido Ecológico Nacional. Muito obrigado, senhores ministros. Valeu! Abro parêntesis. É interessante notar, que pelo menos, dois dos partidos, que impetraram:  Aquela Ação Direta, de Inconstitucionalidade, acolhida pelo STF (PCdoB e PSOL) considera perfeitamente normal e democrático o mono partidarismo cubano, mas acham que, no Brasil, não pode haver democracia sem um multipartidarismo que os inclua como representação, de certas minorias ideológicas. Fecho parêntesis.
Como recusar o fato de que o excessivo número de partidos complica a política em todos os seus níveis e em todas as suas etapas? Anoto algumas dessas mazelas: 1) o custeio das legendas; 2) as cada vez mais difíceis e onerosas campanhas eleitorais; 3) as extravagantes coligações com que convivemos; 4) a multiplicidade de espaços em rádio e tevê; 5) a sobrecarga incidente na Justiça Eleitoral; 6) o excessivo número de candidatos que poluem a vitrine das campanhas e dificultam a escolha do eleitor; 7) a formação de um número demasiado de bancadas nos parlamentos; 8) a descaracterização filosófica das siglas; 9) o tumulto que geram na constituição dos governos e no processo legislativo, e por aí vai.
Vinte e três partidos políticos têm representação na Câmara dos Deputados! Os 86 deputados da maior bancada, a do PT, representam apenas 15% do plenário... Ou seja, nesse modelo que seduziu o STF, a maior bancada acaba sendo, também ela, uma pequena minoria. Como organizar de modo adequado atividade tão relevante ao bem comum quanto é a política com um sistema que só produz minorias irrelevantes? Como erguer essa atividade a um patamar mais elevado se a necessária formação de maiorias leva os partidos a se debruçarem sobre um cada vez mais seboso e menos digno balcão de negociações onde, a cada ano, é necessário criar novas moedas de troca?
É certo, o grau de civilidade de um país tem a ver, entre outras coisas, com a forma como trata suas minorias. Sair-se daí, porém, para transformar o sistema partidário em instrumento dessa organização e representação é clara demasia. As minorias deveriam compor-se dentro dos partidos que as acolhessem em suas plataformas e diretórios. Isso evitaria todos os males do multipartidarismo e mais este: a possibilidade de que o acesso ao poder seja franqueado a uma minoria organizada. Atenção! O nosso modelo permite que circunstancialmente, um partido minoritário, nanico, sectário (quem sabe até totalitário!) tendo cooptado para seus quadros uma figura carismática e popular qualquer, chegue ao governo trazendo na manga do casaco posições filosóficas, ideológicas e morais sem aceitação social. Governar é tarefa para partido grande. É direito e dever das maiorias.
Autor: Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões. Difusão: Geraldo Porci e Araújo 27/02/2012. 



O número de vítimas causadas por todas as discriminações odiosas, somadas e multiplicadas por mil, não se aproxima da carnificina causada pela fotofobia. Estima-se que ela produza, no mundo todo, cerca de 50 milhões de execuções/ano (algo como oito holocaustos a cada 365 dias, ou 2500 jamantas carregadas de fetos). Trata-se, portanto, de um ma a exigir severas medidas restritivas à sua propagação. A fotofobia vai direto da tolerância ao ato. Da teoria à prática. Ela discrimina e mata implacavelmente aqueles contra os quais se volta. Como não tem justificativa moral, insinua-se mediante raciocínios sofistas e capciosos. Outro dia, um fetofóbico, indignado, acusava os defensores da vida de se fundarem em princípios e convicções. Tinha razão. A promoção do aborto só se sustenta no contexto oposto, no contexto dos palpites que caracterizam o relativismo moral e o hedonismo mais rasteiro. Se princípios e valores não servem para discutir o respeito á vida humana, tampouco servem á Política ao Direito e à Justiça, bem como à Saúde e à Educação. E assim se esclarece muita coisa.
Todos conhecem a frase do Goebbels sobre a mentira incansavelmente repetida. Mas o que ele ensinou vale, também, para a insistente negação da evidência e para a repetição da tolice. "O Brasil é um país laico!", proclamam os fetofóbico como se tivessem atingido a epifania do saber. E daí? Significará isso que qualquer convicção moral, qualquer constatação científica, qualquer reflexão filosófica que coincida com uma afirmação religiosa deva ser banida do catálogo das ideias e expurgada de todo debate civil? Mas é inútil contestar os piores cegos e surdos, que não querem ver, nem ler, nem ouvir. Amanhã, os fetofóbico estarão repetindo, goebbelianamente: "O Brasil é um país laico. Obas que ilegalizemos a chacina!".
Ninguém precisa ter lido Julien Freund para perceber, em si mesmo, que as dimensões do ser humano - a política, a religiosa, a cultural, a econômica, a ética e a artística - convivem, necessariamente, umas com as outras. Dar cartão vermelho a qualquer delas, abortando-a do espaço público, como pretendem fazer com a dimensão religiosa, contraria a natureza humana. Por isso, é aberração só ensaiada nos totalitarismos, como a experiência dos povos demonstra derramando exemplos sobre a mesa da História. Houvesse busca sincera da verdade, o que aí está dito bastaria. Mas a feto fobia não se segura. Ela voltará aos mesmos "argumentos", dos quais se deduz que: a) a separação entre Igreja e Estado deve aprisionar em um gueto a cidadania das pessoas de fé; b) quaisquer valores em que se perceba o perfume de alguma religião devem ser barrados na porta dos parlamentos e tribunais por vício de origem; c) o feto é coisa inútil - arrancado aos pedaços nada sente; e d) só pode opinar sobre temas de interesse público quem não tiver convicção alguma. 
Tanta tolice precisa substituir argumentos por adjetivos.  Então,  ser contra o aborto é fundamentalismo e defender a vida é obscurantismo. Tão lógico quanto isso. Quero louvar, a propósito, a firmeza dos congressistas evangélicos (onde andam os católicos e a CNBB?), acusados pelo feto,  fóbicos de pretenderem fazer refém ao governo. É como se o governo pudesse ficar - e como fica! - refém de qualquer bando, de quaisquer negocistas, de quaisquer corporações ou grupos de interesse. Mas será demasiadamente subjugado, o governo, se aceitar pressões em defesa da vida. Zero Hora, 26/02/2012. Autor: Percival Puggina. Difusão Geraldo Porci de Araújo. 28/02/2012.

FETOFOBIA E OBSCURANTISMO



O número de vítimas causadas por todas as discriminações odiosas, somadas e multiplicadas por mil, não se aproxima da carnificina causada pela fotofobia. Estima-se que ela produza, no mundo todo, cerca de 50 milhões de execuções/ano (algo como oito holocaustos a cada 365 dias, ou 2500 jamantas carregadas de fetos). Trata-se, portanto, de um ma a exigir severas medidas restritivas à sua propagação. A fotofobia vai direto da tolerância ao ato. Da teoria à prática. Ela discrimina e mata implacavelmente aqueles contra os quais se volta. Como não tem justificativa moral, insinua-se mediante raciocínios sofistas e capciosos. Outro dia, um fetofóbico, indignado, acusava os defensores da vida de se fundarem em princípios e convicções. Tinha razão. A promoção do aborto só se sustenta no contexto oposto, no contexto dos palpites que caracterizam o relativismo moral e o hedonismo mais rasteiro. Se princípios e valores não servem para discutir o respeito á vida humana, tampouco servem á Política ao Direito e à Justiça, bem como à Saúde e à Educação. E assim se esclarece muita coisa.
Todos conhecem a frase do Goebbels sobre a mentira incansavelmente repetida. Mas o que ele ensinou vale, também, para a insistente negação da evidência e para a repetição da tolice. "O Brasil é um país laico!", proclamam os fetofóbico como se tivessem atingido a epifania do saber. E daí? Significará isso que qualquer convicção moral, qualquer constatação científica, qualquer reflexão filosófica que coincida com uma afirmação religiosa deva ser banida do catálogo das ideias e expurgada de todo debate civil? Mas é inútil contestar os piores cegos e surdos, que não querem ver, nem ler, nem ouvir. Amanhã, os fetofóbico estarão repetindo, goebbelianamente: "O Brasil é um país laico. Obas que ilegalizemos a chacina!".
Ninguém precisa ter lido Julien Freund para perceber, em si mesmo, que as dimensões do ser humano - a política, a religiosa, a cultural, a econômica, a ética e a artística - convivem, necessariamente, umas com as outras. Dar cartão vermelho a qualquer delas, abortando-a do espaço público, como pretendem fazer com a dimensão religiosa, contraria a natureza humana. Por isso, é aberração só ensaiada nos totalitarismos, como a experiência dos povos demonstra derramando exemplos sobre a mesa da História. Houvesse busca sincera da verdade, o que aí está dito bastaria. Mas a feto fobia não se segura. Ela voltará aos mesmos "argumentos", dos quais se deduz que: a) a separação entre Igreja e Estado deve aprisionar em um gueto a cidadania das pessoas de fé; b) quaisquer valores em que se perceba o perfume de alguma religião devem ser barrados na porta dos parlamentos e tribunais por vício de origem; c) o feto é coisa inútil - arrancado aos pedaços nada sente; e d) só pode opinar sobre temas de interesse público quem não tiver convicção alguma. 
Tanta tolice precisa substituir argumentos por adjetivos.  Então,  ser contra o aborto é fundamentalismo e defender a vida é obscurantismo. Tão lógico quanto isso. Quero louvar, a propósito, a firmeza dos congressistas evangélicos (onde andam os católicos e a CNBB?), acusados pelo feto,  fóbicos de pretenderem fazer refém ao governo. É como se o governo pudesse ficar - e como fica! - refém de qualquer bando, de quaisquer negocistas, de quaisquer corporações ou grupos de interesse. Mas será demasiadamente subjugado, o governo, se aceitar pressões em defesa da vida. Zero Hora, 26/02/2012. Autor: Percival Puggina. Difusão Geraldo Porci de Araújo. 28/12/2012.

LAMPIÃO MODERNO



"Alguém aí tem resposta. Pra pergunta que eu faço? Lampião, rei do cangaço. Foi bandido ou foi herói? Nem sei se esta é a questão, Pois hoje a corrupção.
Tem um punhal cangaceiro. Sangrando a dignidade. De quem é bom brasileiro.
O Virgulino moderno. Exibe carro importado, Tem jatinho e muito mais.
A caneta é seu fuzil, Com ela assalta o Brasil. Do jeito que sempre quis: Feito cupim na madeira, Fazendo uma buraqueira. Nas finanças do País. Esse novo Virgulino.
Não tem chapéu estrelado, nem canta Mulher Rendeira. Ele não dorme no mato, ama o conforto e o bom trato.
E não aguenta repuxo: Com seu dinheiro e malícia, quando foge da polícia, Se esconde em hotel de luxo. Não anda pelas caatingas, nem cruza moita de espinho, Mas constrói o seu caminho Com muito nome esquisito: É fraude, é clientelismo, é  pilhagem, e nepotismo e propina e malandragem.
Mas ele não se contenta: A tudo isso acrescenta a mentira e a rapinagem.
No palanque faz de Deus. O seu cabo eleitoral, criando o clima ideal á exploração da fé.
Seu discurso é de devoto, mas sua fé é o voto da humilde multidão que, inocente, se dobra: Vira massa de manobra nas garras do Lampião.
O seu instinto perverso é muito sofisticado: Ele mata no atacado,  quando desvia milhões em cada cheque que assina.
O bandoleiro assassina gente em escala brutal de onde vem a matança?
Da falta de segurança, de médico, hospital... É direito da criança ensino de qualidade.
Mas dessa realidade Pouca criança desfruta. E quanto ao saneamento não existe investimento, neste importante setor porque o nosso dinheiro vai parar no estrangeiro, na conta do malfeitor.
O cangaceiro de hoje tem site na Internete e grava até em disquete os seus planos de ação. Certo da impunidade, ele se sente à vontade pra dizer sem embaraço,
Justificando a orgia: - Lampião nada fazia já eu roubo, mas eu faço! Enso até ser injustiça, comparar o Virgulino á do sertão nordestino homo esses cabras de hoje.
Pois de uma coisa estou certo: Lampião nem chega perto desses que, de forma vil e com bastante requinte, saqueiam o contribuinte que ainda crê no Brasil.
Ah, capitão Virgulino, que andas fazendo agora? Chega de tanta demora.
Sai dessa cova, ligeiro, vem retomar teu reinado! Anda logo, desgraçado, chama teus, cabras de fama, traz Corisco e Ventania, quinta-feira, e Pontaria, tira o país dessa lama!
Chama Dada traz Maria. Para te dar inspiração, de traz Canários, e Azulão.
Onde andam Moita Brava, jararaca e Zé Sereno, que provaram do veneno da refrega sertaneja? E Bem-Te-Vi, bom de briga, cantando a mesma cantiga, não vai fugir da peleja.
Não esquece, Volta Seca sabonete, e Jitirana, que viravam caninana, nos instantes de combate. Chama também Zé Baiano, pois entra ano e sai ano e a coisa fica mais feia. Já são muitos excluídos e a culpa é de bandidos  que precisam levar peia!
 Anda logo, que o Brasil já se cansou do teu mito, ouve o apelo e o grito Do povo deste país. Mas cuidado, Capitão, Cuidado com a mangação que pode ser um  horror. Já tem corrupto espalhando que, em formação de bando, lampião era amador!" Créditos: Autoria: Carlos Araújo Música: Para não dizer que não falei das flores (Geraldo Vandré ) Formatação: Desconhecida. Difusão: Geraldo Porci de Araújo. 17/02/2