quarta-feira, 27 de maio de 2009

LULA E OS FAZEDORES DE CABEÇA

LULA E OS FAZEDORES DE CABEÇA
Vinha, há dias, pensando em escrever sobre os estupros intelectuais que se promovem no sistema de ensino brasileiro, temas a respeito do quais todos têm histórias para contar. Um bom exemplo, aliás, foi dado no mês de abril por uma professora da PUC de São Paulo. Doutora em Psicologia, madame foi convidada pela produção do Jornal Hoje da Rede Globo para falar sobre as causas do massacre ocorrido na Universidade da Virgínia. Nos pouco mais de 30 segundos de que dispôs, sabem os leitores a quem ela atribuiu a responsabilidade pelo sinistro acontecimento? Ao consumismo norte-americano. Pois é. Quando o apresentador se surpreendeu, a mestra saiu-se com esta: “Como ele vai marcar o lugar dele, o lugar de um sujeito? Ou seja, o lugar que não é dos consumidores? Sempre por um ato heróico. Nós podemos entender que um jovem que sai atirando na coletividade está fazendo um ato heróico, mesmo que negativo”. Em outras palavras: morte aos capitalistas e fogo no mercado, “mesmo que negativo”.
Imagine agora a chacina intelectual que essa professora é capaz de produzir dentro da sala de aula durante um ano inteiro. Depois, pense em centenas de milhares de “educadores” assim, minando as universidades, os cursinhos, o ensino médio e o ensino fundamental. Imagine, por fim, essa multidão contaminando escolas católicas, universidades pontifícias e seminários, reproduzindo-se ad infinitum nos cursos de formação para o magistério. E, sem qualquer escrúpulo, priorizando seus companheiros nos exames de acesso aos cursos de mestrado e doutorado dos quais sairão novos doutrinadores para os estabelecimentos de ensino.
Imaginou? Pois foi o que fiz. E ao fazer caí na real a respeito do presidente Lula. Sempre me desgostou a rudimentar escolaridade do nosso presidente. Não me preocupava tanto o fato de jamais haver ele buscado uma graduação de nível superior, mas a falta de interesse pela própria formação intelectual. Esse déficit, que não pode ser suprido pela simples inteligência – atributo que o presidente tem em muito bom grau – dá origem, sem sombra de dúvida, à incapacidade de um raciocínio articulado e coerente, seja ao longo de um improviso, seja na mais singela declaração espontânea. Era isso o que me desagradava. Considerava constrangedor o fato de o presidente do Brasil se atrapalhar tanto com palavras e idéias, caindo em permanentes contradições e afirmando, numa mesma fala uma coisa e seu avesso. Hoje, agradeço a Deus por isso. Imaginem o que estaria acontecendo se esse homem, vindo da vertente política que o originou, houvesse, antes de assumir o poder, lustrado fundilhos numa universidade brasileira. Pense sobre as conseqüências que adviriam se Lula, em vez de simples torneiro mecânico, tivesse sido polido no torno dessas manufaturas de intelectuais delirantes e governasse o país em consonância com as idéias disseminadas pelos tais fazedores de cabeça. Hoje, como bem sabemos muitos os rodeiam. E quando agem por conta própria só fazem besteira. Outros, felizmente, o abandonaram. Não, não comem criancinhas. Chupam-lhes o cérebro. Percival Puggina Zero Hora, 13 de maio de 2007.

Nenhum comentário:

Postar um comentário