FIQUE SABENDO
Impressionante depoimento de um médico cubano. Infelizmente não sou louco de dar o nome dele... "Existem duas Cubas: a dos produtos básicos e de má qualidade vendidos de forma controlada nos armazéns estatais em pesos cubanos, e a dos supermercados e lojas que se parecem com os de países capitalistas, que só aceitam CUCs, a moeda forte que equivale a 25 pesos e a US$ 1,25, que os turistas trazem nos bolsos, e uma minoria de cubanos recebe em pequenas quantidades como bônus salarial ou na forma de gorjetas dos estrangeiros.
Só com CUCs é possível comprar produtos de higiene, roupas, calçados e alimentos como carne e iogurte, que têm preços equivalentes aos do Brasil, ou até mais caros.
Em média, a cota de produtos como arroz, leite, ovos e macarrão vendida nos armazéns estatais dá para o consumo de uma quinzena. No restante do mês, e para os outros produtos, os cubanos precisam dar um jeito de conseguir CUCs para se abastecer. Alguns recebem dinheiro de parentes do exterior. Outros trabalham no vasto mercado de produtos contrabandeados e roubados das empresas estatais.
Em seu discurso de encerramento do ano legislativo, no sábado, o presidente Raúl Castro anunciou a eliminação de estímulos dados aos trabalhadores, sem deixar claro se se referia também aos bônus em CUCs.
"Queria saber do que ele está falando", disse uma arquiteta de 25 anos, que recebe 375 pesos (US$ 18,75) de salário e 10 CUCs (US$ 8) de estímulo. "Como assim? Vai nos asfixiar? Quer tirar de onde?" AJUDA Em geral, o governo paga estímulos em CUCs para trabalhadores que têm contato com turistas, como os de hotéis, restaurantes e táxis que são pagos em CUCs, mas recebem salários em pesos, e para funcionários que podem se corromper ou desviar materiais do Estado. Um garçom, por exemplo, recebe 275 pesos (US$ 13,75) de salário e 10 CUCs (US$ 8) de incentivo.
Isso exclui médicos, professores e aposentados, por exemplo. Um professor do ensino básico e médio ganha 350 pesos (US$ 17,50); da universidade, 450 (US$ 22,50).
A aposentadoria gira entre 225 e 300 pesos (US$ 11,25 e US$ 15). "Sem a ajuda que nossos filhos nos mandam da Espanha, nosso orçamento iria para o chão", dizem um ex-diretor de empresas estatais e uma geóloga, ambos aposentados. "Meu marido mora na Espanha", explica a clínica geral de um posto de saúde, que ganha 573 pesos (US$ 28,65). "Os outros, não sei como sobrevivem." Um ginecologista de 59 anos, professor universitário, mostra a sua carteira: ele recebeu o seu salário de 650 pesos (US$ 32,50) no dia 20, e já não lhe resta moeda nacional na carteira. O médico pagou 400 pesos (US$ 20) num pernil e o resto em legumes para a ceia de ano novo.
Ele deveria ficar no hospital onde trabalha das 8 horas às 16 horas, mas atende rapidamente suas pacientes e estaciona seu Lada Moscovitch ano 87 por volta de 11 horas em frente a uma galeria de butiques elegantes, à espera de passageiros.
Militante do Partido Comunista desde 1977, com a prestigiada carteira vermelha, o ginecologista ganha a vida como taxista clandestino. "A medicina é meu hobby e o táxi é meu trabalho", diz ele. No fim da tarde de terça-feira, o médico tinha conseguido fazer duas viagens e ganhar 5 CUCs (US$ 6,25). O ponto clandestino onde trabalha desde 1995 equivale a uma junta médica: há um ortopedista, um dermatologista, um estomatologista e um clínico geral, além de um engenheiro e um psicólogo desportivo. "Aqui, não ganho muito dinheiro, mas pelo menos tenho esperança", diz o médico. "Lá no hospital, não tenho sequer esperança." 14/01/2009. Fonte: Percival Puggina
Impressionante depoimento de um médico cubano. Infelizmente não sou louco de dar o nome dele... "Existem duas Cubas: a dos produtos básicos e de má qualidade vendidos de forma controlada nos armazéns estatais em pesos cubanos, e a dos supermercados e lojas que se parecem com os de países capitalistas, que só aceitam CUCs, a moeda forte que equivale a 25 pesos e a US$ 1,25, que os turistas trazem nos bolsos, e uma minoria de cubanos recebe em pequenas quantidades como bônus salarial ou na forma de gorjetas dos estrangeiros.
Só com CUCs é possível comprar produtos de higiene, roupas, calçados e alimentos como carne e iogurte, que têm preços equivalentes aos do Brasil, ou até mais caros.
Em média, a cota de produtos como arroz, leite, ovos e macarrão vendida nos armazéns estatais dá para o consumo de uma quinzena. No restante do mês, e para os outros produtos, os cubanos precisam dar um jeito de conseguir CUCs para se abastecer. Alguns recebem dinheiro de parentes do exterior. Outros trabalham no vasto mercado de produtos contrabandeados e roubados das empresas estatais.
Em seu discurso de encerramento do ano legislativo, no sábado, o presidente Raúl Castro anunciou a eliminação de estímulos dados aos trabalhadores, sem deixar claro se se referia também aos bônus em CUCs.
"Queria saber do que ele está falando", disse uma arquiteta de 25 anos, que recebe 375 pesos (US$ 18,75) de salário e 10 CUCs (US$ 8) de estímulo. "Como assim? Vai nos asfixiar? Quer tirar de onde?" AJUDA Em geral, o governo paga estímulos em CUCs para trabalhadores que têm contato com turistas, como os de hotéis, restaurantes e táxis que são pagos em CUCs, mas recebem salários em pesos, e para funcionários que podem se corromper ou desviar materiais do Estado. Um garçom, por exemplo, recebe 275 pesos (US$ 13,75) de salário e 10 CUCs (US$ 8) de incentivo.
Isso exclui médicos, professores e aposentados, por exemplo. Um professor do ensino básico e médio ganha 350 pesos (US$ 17,50); da universidade, 450 (US$ 22,50).
A aposentadoria gira entre 225 e 300 pesos (US$ 11,25 e US$ 15). "Sem a ajuda que nossos filhos nos mandam da Espanha, nosso orçamento iria para o chão", dizem um ex-diretor de empresas estatais e uma geóloga, ambos aposentados. "Meu marido mora na Espanha", explica a clínica geral de um posto de saúde, que ganha 573 pesos (US$ 28,65). "Os outros, não sei como sobrevivem." Um ginecologista de 59 anos, professor universitário, mostra a sua carteira: ele recebeu o seu salário de 650 pesos (US$ 32,50) no dia 20, e já não lhe resta moeda nacional na carteira. O médico pagou 400 pesos (US$ 20) num pernil e o resto em legumes para a ceia de ano novo.
Ele deveria ficar no hospital onde trabalha das 8 horas às 16 horas, mas atende rapidamente suas pacientes e estaciona seu Lada Moscovitch ano 87 por volta de 11 horas em frente a uma galeria de butiques elegantes, à espera de passageiros.
Militante do Partido Comunista desde 1977, com a prestigiada carteira vermelha, o ginecologista ganha a vida como taxista clandestino. "A medicina é meu hobby e o táxi é meu trabalho", diz ele. No fim da tarde de terça-feira, o médico tinha conseguido fazer duas viagens e ganhar 5 CUCs (US$ 6,25). O ponto clandestino onde trabalha desde 1995 equivale a uma junta médica: há um ortopedista, um dermatologista, um estomatologista e um clínico geral, além de um engenheiro e um psicólogo desportivo. "Aqui, não ganho muito dinheiro, mas pelo menos tenho esperança", diz o médico. "Lá no hospital, não tenho sequer esperança." 14/01/2009. Fonte: Percival Puggina

Nenhum comentário:
Postar um comentário