terça-feira, 23 de novembro de 2010

MENSAGEM CRISTÃ RADICALIDADE E FUNDAMENTALISMO

A cultura contemporânea, com sua pobreza filosófica, sua visão estapafúrdia de liberdade, seu individualismo crônico, sua dedicação às coisas fúteis, sua desatenção a tudo o que é sério, seu modo emocional de lidar com temas racionais, sua ética de conveniência e sua conformidade com a ventoinha das maiorias acaba criando tremenda confusão.
Valoriza-se a autenticidade de quem age como fala e fala como pensa (seja o que for), como se o conteúdo da ação, a qualificação do discurso e a correção das idéias não tivessem nenhuma importância. O importante é ser autêntico... É autêntica a pessoa que faz o que lhe dá na veneta; é autêntico o político que prega a violência (mas não a aceitaria contra si); é autêntica a prostituta que comparece ante a TV para fazer o proselitismo de sua atividade (tanto quanto é autêntico o jornalismo que promove tais pautas); é autêntico o padre que se declara contra o celibato sacerdotal que não observa; é autêntico o marido debochado que escancara sua infidelidade porque sabe que a mulher conviverá com a humilhação (e é autêntica a mulher que dá o troco). Uma coisa é errar, outra bem mais grave é buscar autenticidade no erro e na própria conveniência.
A encíclica de João Paulo II, Veritatis Splendor, descreve tal conceito de autenticidade como um “estar de acordo consigo próprio”, que leva a uma concepção “radicalmente subjetivista do juízo moral”. E fica diagnosticada, assim, a patologia que afeta o coração da vida social causando uma arritmia que vem sendo chamada de “crise de valores”: não é mais a verdade que orienta a liberdade, mas é a liberdade que faz a verdade, de tal forma que a Igreja, ao ensinar a Verdade estaria provocando incômodos e indesejados conflitos de consciência...
Ora, de que vale a autenticidade no erro e no mal? Seguir os mais destampados impulsos pessoais é expressão de liberdade humana ou submissão a fraquezas, vícios e intemperanças? Se a liberdade estivesse aí, que utilidade teria a força de vontade?
“Feliz o homem que põe seu enlevo na lei do Senhor”, diz o salmista. “Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres”, diz Jesus no Evangelho de João. Portanto, é no esplendor da verdade que está o esplendor da liberdade, da sinceridade e da autenticidade. O resto é jogo de palavras que só ressoam em cabeças vazias e consciências ocas. Autor: Percival Puggina. Difueão. Geraldo Porci de Araújo. , 27/01/07

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